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A convenção do União Brasil escolheu um caminho, mas Jayme Campos foi o grande vencedor político e será o "fiel" da balança nas Eleições de 2026



Marcos Lopes 

Na política, nem toda derrota é sinônimo de fracasso. Há derrotas que revelam caráter, convicção e liderança. E há vitórias que expõem a forma como o poder é exercido.

A convenção do União Brasil, realizada na quinta-feira (30), ficará registrada como um dos momentos mais emblemáticos da política mato-grossense recente. Não pelo resultado em si, mas pelo que ele revelou.

É verdade que o senador Jayme Campos não conseguiu ver sua candidatura ao Governo de Mato Grosso prevalecer na disputa interna. No papel, perdeu a convenção. Mas, politicamente, saiu fortalecido.

Durante todo o processo, Jayme defendeu que o União Brasil tivesse candidatura própria. Não reivindicava apenas um projeto pessoal. Defendia que um dos maiores partidos do Estado exercesse o protagonismo compatível com sua história, sua estrutura e sua representatividade.

Do outro lado, prevaleceu a vontade do presidente estadual da legenda, Mauro Mendes. Ex-governador e principal liderança do grupo político hoje instalado no Palácio Paiaguás, Mauro trabalhou para que o partido abrisse mão de disputar o Governo do Estado com candidatura própria e apoiasse o projeto de continuidade liderado pelo atual governador, Otaviano Pivetta.


Mais do que o resultado da convenção, chamou atenção a forma como esse processo foi conduzido. Ao invés de fortalecer o debate interno e prestigiar uma das maiores lideranças da história do partido em Mato Grosso, a direção estadual preferiu concentrar seus esforços para impedir que Jayme Campos fosse o candidato da legenda.

Segundo interlocutores e relatos de bastidores repercutidos pela imprensa durante o processo, a influência exercida pelo grupo político que comanda o Estado teria sido determinante para a consolidação da maioria favorável à tese defendida por Mauro Mendes. Independentemente da veracidade dessas versões, elas ganharam força no meio político e alimentaram a percepção de que a estrutura do poder falou mais alto do que o convencimento construído pelo debate interno.

Foi justamente aí que Jayme venceu.

Venceu porque mostrou que ainda existe espaço para quem enfrenta o poder estabelecido dentro do próprio partido. Venceu porque não se curvou à conveniência política. Venceu porque preferiu sustentar uma convicção até o fim, mesmo sabendo das dificuldades que enfrentaria.


A condução desse episódio também revelou um estilo de liderança de Mauro Mendes que dificilmente passará despercebido. Um presidente de partido é chamado a construir consensos, valorizar seus quadros e ampliar as alternativas da legenda. Quando escolhe inviabilizar uma candidatura competitiva antes mesmo de ela chegar às urnas, transmite a mensagem de que o espaço para o contraditório é reduzido e de que as decisões já estavam previamente definidas.

A história política de Jayme Campos ajuda a compreender o tamanho desse episódio. Sua trajetória começou ainda no antigo PDS. Em 1985, acompanhou a criação do PFL, partido que ajudou a consolidar em Mato Grosso. Posteriormente integrou o Democratas e permaneceu na legenda até a fusão com o PSL, que deu origem ao União Brasil. Ao longo de décadas de vida pública, foi prefeito de Várzea Grande, governador de Mato Grosso, senador da República e uma das principais referências do antigo PFL e do DEM no Estado.

Quem perde com isso não é apenas Jayme Campos.

Perde o União Brasil, que abre mão do protagonismo para assumir uma posição secundária na sucessão estadual.

Perde a democracia, que deixa de oferecer ao eleitor uma alternativa construída dentro de um dos maiores partidos de Mato Grosso.

E perde, sobretudo, o próprio Estado, que deixa de assistir a uma disputa mais ampla, mais competitiva e mais rica em ideias.

No fim, a convenção produziu um paradoxo.

Jayme Campos saiu sem a candidatura, mas com sua liderança ainda mais fortalecida. Demonstrou independência, coerência e disposição para defender aquilo em que acreditava, mesmo diante de circunstâncias desfavoráveis.

Mais do que isso, passa a ocupar uma posição singular na sucessão estadual. Pela autoridade conquistada ao longo de décadas de vida pública, pela experiência administrativa e pelo respeito que construiu entre aliados e adversários, Jayme torna-se o fiel da balança da eleição de 2026.


Hoje, o cenário eleitoral reúne como principais pré-candidatos o atual governador Otaviano Pivetta, que buscará a reeleição; o senador Wellington Fagundes, pelo PL; a médica Natasha Slhessarenko, pelo PSD; e o empresário Odílio Balbinotti. Independentemente de quem permaneça na disputa até as convenções partidárias, todos sabem que o posicionamento de Jayme Campos poderá influenciar diretamente os rumos da sucessão estadual.

Mauro Mendes conseguiu vencer a convenção.

Jayme Campos, porém, venceu politicamente.

Enquanto um conquistou uma vitória interna, o outro ampliou sua estatura como liderança estadual. Ao retirar do União Brasil a possibilidade de apresentar candidatura própria, Mauro Mendes também retirou da legenda o protagonismo de liderar a sucessão estadual, transformando um partido que poderia conduzir o debate sobre o futuro de Mato Grosso em mero coadjuvante de um projeto político.

Na política, existem vitórias que fortalecem.

E existem vitórias que revelam.

A convenção do União Brasil poderá ser lembrada justamente por isso: Jayme Campos perdeu uma votação, mas ganhou respeito. Mauro Mendes venceu a disputa interna, mas deixou para a história o debate sobre os métodos utilizados para construir essa vitória e sobre o preço político de reduzir o protagonismo do próprio partido.

O tempo dirá quem, de fato, saiu vencedor.

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