Redação
A pré-candidatura do ex-prefeito de Primavera do Leste, Léo Bortolin (MDB), à Assembleia Legislativa de Mato Grosso em 2026 recoloca sua trajetória política sob análise no estado, agora com atenção ao seu histórico de cargos, filiação partidária e também às críticas registradas ao longo de suas gestões no Executivo municipal e na presidência da Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM).
Léo Bortolin iniciou sua trajetória eletiva como vereador em Primavera do Leste, exercendo mandato entre 2013 e 2016. Em seguida, assumiu a Prefeitura do município em 2017, após eleição suplementar, permanecendo no cargo até 2024, quando concluiu dois mandatos consecutivos. Após deixar o Executivo municipal, foi eleito presidente da Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM) em janeiro de 2024, tomando posse no mesmo período e passando a comandar a entidade que representa todos os municípios de Mato Grosso. Ele permaneceu no cargo até sua renúncia, formalizada em 25 de março de 2026, durante o período de articulações eleitorais para a disputa estadual.
No campo partidário, Bortolin é filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), legenda que em Mato Grosso atua historicamente como um partido de centro-esquerda dentro do espectro político estadual, especialmente por sua composição heterogênea e por sua atuação frequente em pautas municipalistas e de articulação institucional ampla, que há desde sua fundação foi há décadas comandado pelo ex-deputado federal e ex- senador Carlos Bezerra e pelo advogado Francisco Faiad, ambos lulistas de carteirinha.
Apesar dessa vinculação, Bortolin em diferentes momentos buscou se posicionar com discurso mais alinhado à direita e com aproximação ao eleitorado bolsonarista, o que passou a ser alvo de questionamentos por adversários, que apontam distância entre o discurso político e a identidade partidária tradicional do MDB no estado.
No campo das avaliações críticas sobre sua gestão em Primavera do Leste, relatórios do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso indicaram que, embora as contas tenham sido aprovadas, houve recomendações e apontamentos técnicos relacionados a fragilidades em controles internos, inconsistências contábeis e necessidade de melhorias em áreas como transparência, saúde e educação. Esses registros não configuram irregularidade grave, mas passaram a ser utilizados no debate político como indicativos de falhas administrativas durante o período de sua gestão.
Na área da saúde, um dos episódios mais citados em análises posteriores à sua gestão envolve o acúmulo de filas para consultas e exames, que chegou a ser apontado em reportagens como um volume expressivo de procedimentos represados no sistema municipal, ultrapassando dezenas de milhares de atendimentos pendentes ao final do período administrativo, o que foi interpretado por opositores como reflexo de dificuldades de organização e regulação da rede de saúde ao longo da gestão.
Também houve registros de críticas relacionadas a obras de infraestrutura, especialmente em pavimentação e drenagem, com apontamentos sobre desgaste precoce em algumas intervenções e necessidade de correções posteriores. Em determinados casos, vereadores e opositores questionaram a qualidade da execução e a fiscalização de contratos, levantando debates sobre planejamento e acompanhamento técnico das obras entregues no fim da gestão.
No campo das licitações e contratos, o Tribunal de Contas também analisou processos com recomendações técnicas e observações sobre aspectos formais, incluindo ajustes necessários em editais e procedimentos administrativos. Esses apontamentos passaram a integrar o conjunto de críticas utilizadas no debate político local para avaliar a condução administrativa do período.
Na presidência da AMM, Bortolin ampliou sua projeção estadual e sua interlocução com prefeitos de diferentes regiões de Mato Grosso. Ao mesmo tempo, a entidade passou a ser alvo de interpretações divergentes no meio político, com críticos afirmando que o espaço institucional teria funcionado como instrumento de visibilidade para sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa. A renúncia ao cargo, formalizada em 25 de março de 2026, ocorreu em meio ao avanço das articulações eleitorais e reforçou leituras distintas sobre motivação jurídica e estratégia política de transição.
A leitura predominante entre alguns setores de Primavera do Leste, é de que a trajetória de Léo Bortolin revela um padrão de atuação fortemente orientado por reposicionamentos sucessivos em cargos de visibilidade, com constante migração entre funções executivas e institucionais em momentos estratégicos. Esse comportamento, somado aos apontamentos técnicos registrados em sua gestão municipal e às controvérsias sobre o uso político de estruturas como a AMM, alimenta dúvidas sobre a consistência de sua condução administrativa e sobre a real prioridade entre gestão pública e projeto pessoal de poder, o que mantém sua pré-candidatura sob desconfiança em parte da opinião pública mato-grossense.


























































