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Horário eleitoral desta quarta-feira (09) coloca Pivetta, Wellington e Natasha em confronto de ideologias pelo Governo de MT


Redação (Com informações do RD News)

A propaganda eleitoral gratuita exibida na noite desta quarta-feira (9) mostrou, em poucos minutos, três estratégias bastante distintas na disputa pelo Governo de Mato Grosso.

Na exibição desta quarta-feira (9), a ordem de entrada no ar foi Otaviano Pivetta (Republicanos) em primeiro lugar, seguido pelo senador Wellington Fagundes (PL) e, por último, pela médica Natasha Slhessarenko (PSD).

A sequência registrada nesta quarta-feira foi Pivetta, Wellington e Natasha.

Além da ordem de entrada no ar nesta quarta-feira (09), cada candidatura possui um tempo diferente dentro do bloco destinado ao Governo do Estado. 

Pivetta tem o maior espaço, com 3 minutos e 14 segundos; Natasha aparece com 3 minutos e 1 segundo; e Wellington dispõe de 2 minutos e 43 segundos.

Com 3 minutos e 14 segundos por bloco, Otaviano Pivetta foi o primeiro dos três candidatos a apresentar sua mensagem nesta quarta-feira.

A estratégia foi de aproximação com o eleitor. O programa abriu destacando a participação feminina na administração e apresentou a vice Gisela Simona, além de buscar associar a candidatura à ideia de continuidade administrativa.


A propaganda também destacou programas sociais, habitação, capacitação e ações voltadas às famílias. O ex-governador Mauro Mendes voltou a aparecer na comunicação eleitoral ao lado de Pivetta, reforçando a ligação entre os dois governos.

A mensagem política é clara: Pivetta procura transformar a experiência acumulada na administração estadual em argumento eleitoral e apresentar a continuidade como caminho para manter investimentos e programas já iniciados.

O discurso também procura humanizar a candidatura e aproximá-la de histórias de pessoas beneficiadas por políticas públicas, especialmente nas áreas de habitação e assistência social.

Logo depois entrou no ar Wellington Fagundes (PL), candidato que representa o campo mais claramente identificado com a direita na atual disputa pelo Governo de Mato Grosso.

O senador dispõe de 2 minutos e 43 segundos por bloco, o menor tempo entre os três principais candidatos. Mesmo com menos espaço, a estratégia escolhida foi de forte contraponto ao discurso de continuidade apresentado por Pivetta.

Em vez de concentrar a propaganda apenas em realizações, Wellington colocou no centro da mensagem os problemas que, segundo sua campanha, ainda precisam ser enfrentados pelo Estado.


O principal argumento foi o número de 178 obras paralisadas em Mato Grosso. Segundo a propaganda, mais de 100 delas começaram durante o atual ciclo de governo e permanecem paradas.

A campanha também utilizou o chamado “fala povo”, levando relatos de moradores para apresentar reclamações sobre obras e serviços públicos.

A mensagem política apresentada pelo candidato do PL é direta: o Estado arrecada, possui recursos e precisa transformar dinheiro público em obras concluídas e serviços efetivamente entregues à população.

Wellington prometeu realizar um mutirão para concluir obras paralisadas, começando por creches, escolas e unidades de saúde. Também apresentou propostas relacionadas à pavimentação de rodovias, substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto e realização de concursos públicos.

Para o eleitorado de direita, o discurso estabelece uma diferença importante em relação ao programa de Pivetta.

Enquanto o governador busca apresentar resultados e defender a continuidade, Wellington procura ocupar o espaço da cobrança, da fiscalização e da mudança, explorando aquilo que considera falhas e pendências da atual administração.

O programa do PL também tenta transformar obras paradas em uma questão de responsabilidade com o dinheiro público, associando atrasos e projetos inacabados a prejuízos para a população.

Por último, entrou no ar Natasha Slhessarenko (PSD), com 3 minutos e 1 segundo por bloco.

A candidata concentrou sua propaganda na violência contra as mulheres e apresentou propostas para ampliar a estrutura de proteção e atendimento.

Entre as medidas apresentadas estão a criação da Rede Mulher MT, integração entre delegacias, Defensoria e serviços de acolhimento, além de uma Secretaria da Mulher e casas regionais.


A propaganda também mencionou a ampliação da Patrulha Maria da Penha, delegacias 24 horas, botão de emergência e um protocolo estadual de prevenção ao feminicídio.

Natasha encerrou o bloco com uma mensagem voltada diretamente ao eleitorado feminino, defendendo uma mudança na forma como o Estado enfrenta a violência contra as mulheres.

A sequência de 9 de setembro acabou produzindo uma fotografia bastante clara das diferentes estratégias utilizadas pelos três principais candidatos.

Pivetta abriu defendendo a continuidade e procurando apresentar uma imagem administrativa associada a programas sociais, obras e participação feminina no governo.

Wellington veio na sequência fazendo o contraponto, explorando obras paralisadas, cobrança por resultados e responsabilidade na utilização dos recursos públicos.

Natasha encerrou levando para a televisão uma agenda concentrada na proteção das mulheres.

Do ponto de vista do campo político de direita, Wellington é quem apresenta o discurso mais frontal de oposição à atual administração. Sua campanha procura transformar problemas de execução e obras paralisadas em argumento para defender uma mudança de comando no Estado.

Pivetta, por sua vez, trabalha com a força de quem está no governo e possui o maior tempo de televisão entre os três candidatos.

Natasha ocupa um espaço próprio na disputa, concentrando sua comunicação em pautas sociais e na proteção das mulheres.

A distribuição do horário eleitoral mostra uma vantagem objetiva de Pivetta em relação aos adversários.

O governador dispõe de 3 minutos e 14 segundos por bloco, enquanto Natasha possui 3 minutos e 1 segundo e Wellington 2 minutos e 43 segundos.

A diferença entre Pivetta e Wellington chega a 31 segundos por bloco. Já Natasha possui 18 segundos a mais que o candidato do PL.

Essa distribuição foi calculada de acordo com a representação dos partidos e federações na Câmara dos Deputados, conforme os critérios utilizados pela Justiça Eleitoral.

Além dos três candidatos que possuem espaço nos blocos em rede, Rafaell Milas, Maurício Coelho e Sargento Laudicério não contam com tempo destinado à propaganda majoritária no rádio e na televisão em razão dos critérios de representação partidária.

Assim, a disputa pelo Governo de Mato Grosso não acontece apenas no conteúdo apresentado ao eleitor.

A ordem de entrada no ar nesta quarta-feira, o tempo disponível para cada candidato e a capacidade de transformar cada segundo em uma mensagem política passaram a ser elementos importantes da corrida pelo Palácio Paiaguás.

Em 9 de setembro, a sequência foi Pivetta, Wellington e Natasha. E, mesmo com o maior tempo de televisão, Pivetta teve de dividir o espaço do bloco com um adversário que utiliza seus minutos para cobrar diretamente a atual gestão e uma candidata que encerrou a programação apostando em uma agenda específica voltada às mulheres.

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Bruno Arnold se despede aos 30 anos e deixa um legado de amor, amizade e saudade

Redação 

Hoje, recebemos uma daquelas notícias que deixam o coração apertado e tornam as palavras pequenas diante de tamanha dor.


A NCC TV Web, o Blog Pilão de Notícias e o Site Rosário Notícias lamentam profundamente o falecimento de Bruno Arnold, aos 30 anos.

Bruno lutou pela vida durante nove dias após o grave acidente ocorrido na BR-163, em Jangada. Mas a tragédia já havia levado, naquele mesmo acidente, as duas pessoas que ele mais amava: sua filha, Liz Antonella Lemes Arnold, de apenas 3 anos, e sua companheira, Jamilly Gabriele Fonseca Tisott, de 18 anos.

É impossível imaginar a dor de um pai que, em poucos dias, perdeu sua pequena filha e também sua companheira. E agora, Bruno também parte, deixando uma família inteira mergulhada em saudade e um vazio que nenhuma palavra consegue preencher.

Neste momento tão difícil, nos unimos aos familiares e amigos de Bruno, especialmente à sua mãe e a todos aqueles que tiveram a oportunidade de compartilhar momentos de sua vida.

O velório de Bruno Arnold acontece nesta noite na Capela Velatória Lírio do Campo, em Nobres (MT). Conforme as informações divulgadas pela família, a cerimônia teve início às 19h e, neste momento, às 20h06, segue sendo realizada no local para familiares e amigos prestarem suas últimas homenagens.

Que Deus, em Sua infinita misericórdia, receba Bruno, Liz e Jamilly e os acolha em Seus braços. Que a fé seja o amparo daqueles que ficam e que as boas lembranças sejam, com o tempo, uma forma de manter vivos aqueles que partiram.

Bruno não será lembrado apenas pela tragédia que interrompeu sua vida, mas pelo homem, pai, companheiro, filho, amigo e ser humano que foi.

Hoje, Bruno reencontra sua filha e sua companheira na eternidade.

Que os três descansem em paz.

Com profundo pesar e carinho, Equipes:

NCC TV Web

Blog Pilão de Notícias

Site Rosário Notícias










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O derretimento de Léo Bortolin: Ex-prefeito de Primavera do Leste despenca nas pesquisas e vê ascensão de Jéssica Riva ameaçar seu futuro no MDB

A derrocada política de Léo Bortolin ganhou contornos definitivos e alarmantes nas últimas radiografias eleitorais da corrida para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O que era apresentado como um projeto consolidado virou um verdadeiro fracasso de tração nas urnas, evidenciado pelos números da pesquisa estimulada que escancaram a queda livre do ex-prefeito e o seu isolamento no pelotão intermediário do MDB.

Enquanto figurões do partido cravam posições de destaque na modalidade — como o deputado Eduardo Botelho liderando com 1,94%, seguido por Dr. João e Tiago Silva empatados com 1,64% —, Léo Bortolin amarga uma frágil e melancólica quarta colocação, registrando apenas 1,52% das intenções de voto. 

Incapaz de empolgar o eleitorado, o ex-prefeito assiste impotente ao seu favoritismo murchar sob o peso da rejeição e da falta de prestígio popular na chapa proporcional.

E o cenário, que já era de terra arrasada para Bortolin, tornou-se um pesadelo político com o avanço de Jéssica Riva. E correndo por fora e demonstrando fôlego de campanha que desmantela as apostas da velha política, Jéssica já aparece colada logo atrás com 1,06%, encurtando perigosamente a distância e pressionando a sua posição na nominata.

Com os votos de Jéssica Riva, somados aos votos de sua irmã, a deputada estadual e pré-candidata ao Senado Janaína Riva, a campanha ganha uma força política familiar avassaladora capaz de elevar ainda mais a sua votação, ultrapassando de vez Léo Bortolin e fazendo-o amargar uma melancólica suplência.


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Ex-presidente da Câmara relembra acusação contra Léo Bortolin envolvendo uso de telefone funcional


Redação
 

Um vídeo divulgado no dia 3 de setembro, pelo ex-presidente da Câmara Municipal de Primavera do Leste, Paulo Castanon, trouxe novamente à discussão uma antiga acusação envolvendo o ex-prefeito e atual candidato a deputado estadual Léo Bortolin.

No vídeo, Castanon relembra o período em que Bortolin atuava como assessor da presidência da Câmara e afirma que ele teria utilizado um telefone funcional do Legislativo para supostamente negociar a compra de drogas.

A declaração faz referência a um episódio antigo e a um procedimento que, segundo o relato do ex-presidente, teria chegado à Justiça.


O caso foi parar na Justiça e a época, Léo Bortolin teria respondido judicialmente pelas acusações relacionadas ao episódio. Conforme o relato apresentado no vídeo, ele acabou absolvido.

Por se tratar de uma acusação atribuída a uma pessoa específica, a reportagem ressalta que não se trata de afirmação de que o fato tenha sido comprovado, mas da reprodução das declarações feitas publicamente por Castanon.

Bortolin possui trajetória política iniciada no Legislativo municipal. Registros públicos apontam que ele foi vereador, presidente da Câmara e posteriormente prefeito de Primavera do Leste. 

Atualmente, Léo Bortolin é candidato a deputado estadual por Mato Grosso nas eleições de 2026.

Outro lado

A equipe do Blog Pilão de Notícias tentou entrar em contato com  Léo Bortolin, mas até o fechamento desta reportagem ele não havia retornado. 

Esta reportagem poderá atualizar esta matéria caso Léo Bortolin ou sua assessoria apresentem manifestação sobre as declarações feitas por Paulo Castanon.

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Cobertura fotográfica do Camarote da 1ª Fiagro Expo Nobres

 





















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Adolescente de 15 anos é atingida por carro e é encaminhada para hospital em Nobres


Foto: Notícias Nobre 

Redação (Com Informações do Notícias Nobre)

Uma adolescente de 15 anos ficou ferida após se envolver em uma colisão com um veículo na manhã desta sexta-feira (4), nas proximidades do viaduto do Xaxim, na BR-163/364, em Nobres.

A jovem estava em uma bicicleta elétrica quando ocorreu o acidente. Segundo informações repassadas após a ocorrência, o motorista do veículo teria relatado que não percebeu a presença da adolescente no momento da colisão.

O acidente chama atenção para os cuidados necessários na circulação de bicicletas elétricas em trechos de intenso movimento, especialmente nas proximidades de rodovias e acessos urbanos, onde veículos circulam em velocidades maiores e a visibilidade pode ser comprometida.

Após a colisão, equipes de socorro foram acionadas e a adolescente foi encaminhada ao Hospital Municipal Laura e Vicuna. Conforme informado pela mãe, ela sofreu escoriações pelo corpo e permaneceu em observação médica.

A Polícia Federal também esteve na unidade hospitalar, onde ouviu a vítima e registrou a ocorrência. As circunstâncias da colisão deverão ser apuradas.

Foto: Notícias Nobre

Apesar do susto, as informações iniciais são de que a adolescente permaneceu sob cuidados médicos e em observação.

O caso reforça a importância da atenção redobrada entre motoristas, ciclistas e usuários de bicicletas elétricas, principalmente em pontos de acesso e cruzamento próximos a rodovias movimentadas.

Atualizada às 08 h 54

O atendimento também serviu para reforçar uma orientação importante do SAMU à população. Segundo a equipe, a adolescente estava consciente, orientada e comunicativa quando foi avaliada, sendo posteriormente imobilizada com prancha e colar cervical e encaminhada ao hospital.

Os profissionais alertam que, em acidentes, a população deve evitar movimentar ou levantar a vítima, mesmo quando ela aparenta estar bem. Uma movimentação inadequada pode agravar lesões que ainda não foram identificadas. A recomendação é manter a pessoa no local, tranquila e imóvel, até a chegada da equipe especializada.

Outro esclarecimento diz respeito ao acionamento do SAMU. Em Nobres, as ocorrências são reguladas pela Central de Regulação, em Cuiabá, que avalia o chamado e autoriza o deslocamento da equipe. Em caso de instabilidade no serviço 192, a orientação é entrar em contato pelo número (65) 99993-9372.

O SAMU também reforça que a colaboração de populares é fundamental durante o atendimento. Além de não mexer na vítima, é importante que curiosos mantenham distância e deixem o espaço livre para que os profissionais possam realizar os procedimentos de emergência com segurança.


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Justiça nega reintegração de posse e garante permanência de 47 famílias da Comunidade Recanto dos Pássaros



VG News




A 2ª Vara Cível – Vara Especializada de Direito Agrário de Cuiabá reconheceu, em sentença assinada nesta sexta-feira (28), o direito das 47 famílias da Comunidade Recanto dos Pássaros de permanecerem na área que ocupam e cultivam na zona rural de Rosário Oeste (MT). A decisão, proferida pela juíza Adriana Sant’Anna Coningham, julgou improcedente o pedido de reintegração de posse sobre a área ocupada pela comunidade e revogou, em caráter definitivo, a liminar de reintegração que havia sido concedida ao autor da ação sobre essa área ainda no início do processo.

O caso envolve a Fazenda Beira Rio, imóvel rural de 212 hectares. O autor da ação, Elady José Barbosa, sustentava exercer posse sobre toda a área desde a década de 1980 e apontava como esbulho a entrada das famílias no local, em dezembro de 2017. A ação foi proposta na comarca de Rosário Oeste, onde a liminar de reintegração chegou a ser deferida, e em 2020 foi redistribuída à vara agrária de Cuiabá, especializada em conflitos fundiários coletivos.

Ao julgar o mérito, a magistrada concluiu que o autor “não se desincumbiu do ônus de comprovar o exercício de posse fática continuada e produtiva sobre a integralidade dos 212 hectares” no momento da ocupação coletiva. A proteção possessória ficou restrita aos cerca de 50 hectares correspondentes à sede da fazenda, porção efetivamente utilizada pelo autor e sua família. Quanto ao restante do imóvel, o pedido foi julgado improcedente, “garantindo-se a manutenção da posse mansa e pacífica das 47 famílias da Comunidade Recanto dos Pássaros sobre seus respectivos lotes de lavoura familiar”, nos termos do dispositivo da sentença.

Abandono da área e ausência de posse

Na análise das provas, a juíza observou que a maior parte dos documentos apresentados pelo autor remontava a períodos muito anteriores ao conflito e que os registros mais recentes não demonstravam o uso de toda a gleba. A ficha sanitária do Indea-MT apontava a propriedade como “desativada”, com a última movimentação de rebanho e vacinação registrada em 2006 — fato confirmado pelo próprio autor em audiência. Já o contrato de arrendamento apresentado como prova de exploração da terra só foi assinado em janeiro de 2018, depois da chegada das famílias, embora mencionasse vigência retroativa.

As informações prestadas pelo Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) também pesaram na decisão. Segundo a autarquia, o processo de regularização fundiária de iniciativa do próprio autor refere-se a uma área de apenas 50 hectares, enquanto a gleba remanescente é formada por terras devolutas destinadas à reforma agrária, inseridas no Projeto de Assentamento Xororó, onde tramitam 46 processos individuais de regularização protocolados pelos moradores da comunidade.

A prova testemunhal colhida na audiência de instrução, realizada em março de 2025, seguiu a mesma direção. Testemunhas ouvidas sob compromisso relataram que, após o falecimento do pai do autor, em 1995, a área “ficou parada”, sem ninguém trabalhando ou produzindo, e que a vegetação nativa voltou a cobrir a maior parte da fazenda. Quando as famílias chegaram, segundo os depoimentos, não havia caseiro nem arrendatário residindo no local. Para a magistrada, os relatos, “firmes e harmônicos”, confirmam “o abandono histórico, a completa ausência de exploração econômica e a regeneração da vegetação nativa na maior parte da fazenda ao longo dos anos”.

Função social da terra

A sentença deu peso ainda ao auto de constatação lavrado por oficial de justiça em fevereiro de 2023, que descreveu a consolidação da Comunidade Recanto dos Pássaros na área: moradias cercadas, casas de alvenaria e de madeira, plantações diversas, criações de subsistência e represas de piscicultura. O documento registrou também o apoio do poder público, com o cascalhamento das vias de acesso pela Prefeitura de Rosário Oeste e a oferta de linhas regulares de ônibus escolar para as crianças — sinais, segundo a juíza, de “um assentamento vivo, acessível e perfeitamente compatível com a moradia digna”.

Na avaliação da magistrada, o trabalho das famílias “conferiu destinação social e dignidade a terras que antes se encontravam desprovidas de qualquer aproveitamento econômico”, em cumprimento aos preceitos constitucionais da função social da propriedade. Com base no artigo 493 do Código de Processo Civil, que impõe ao juiz o dever de considerar fatos novos capazes de influir no julgamento, a decisão reconheceu que a comunidade exerce “posse qualificada pelo trabalho” sobre seus lotes, coexistindo pacificamente com a área de 50 hectares que permaneceu com a família do autor.

A atuação da defesa

A defesa das famílias foi patrocinada pelos advogados Rafael Douradinho e Pedro Alexandrino de Lacerda, que sustentaram ao longo de toda a tramitação três teses centrais, todas acolhidas na sentença.

O Advogado Rafael Douradinho destacou que: a área em disputa é terra devoluta do Estado de Mato Grosso, jamais integrada ao patrimônio de um particular e destinada à reforma agrária. Segundo a defesa, o próprio autor reconheceu essa condição ao protocolar, junto ao Intermat, um processo administrativo de regularização fundiária referente a apenas 50 hectares — os mesmos que a sentença acabou por reservar à sede da fazenda. A gleba remanescente, onde vivem as famílias, está inserida no Projeto de Assentamento Xororó e é objeto de 46 processos individuais de regularização protocolados pelos próprios moradores e, portanto, merece a proteção do Estado.”

O Advogado Pedro Alexandrino de Lacerda, ressaltou a ausência de posse anterior do autor sobre a área ocupada. Lacerda apontou que o próprio autor, ao registrar o boletim de ocorrência do suposto esbulho, declarou não possuir caseiro no local e ter se afastado do imóvel entre 2013 e 2017, período em que esteve preso (tentativa de homicídio). Documentos como o contrato de arrendamento e a declaração de um suposto caseiro só teriam sido produzidos em datas posteriores à ocupação, o que, para o advogado, indicava tentativa de forjar uma continuidade de posse que nunca existiu. Sem posse efetiva antes da entrada das famílias, argumentou Lacerda, não estariam preenchidos os requisitos do artigo 561 do Código de Processo Civil para a reintegração, não merecendo a proteção do Estado.

Conforme ficou demonstrado, no momento da ocupação o imóvel se encontrava abandonado e em processo avançado de regeneração natural com desfazimento completo das pastagens.

Com base em laudo técnico e imagens de satélite que retratam a dinâmica da área entre 1996 e 2023, a defesa demonstrou que, após a morte do pai do autor (antigo proprietário do local), ocorrida em 1995, a pastagem antes existente deu lugar à vegetação nativa, sem qualquer exploração econômica ou benfeitoria além da casa-sede.

O imóvel, portanto, não cumpria sua função social — que só voltou a ser atendida, segundo os advogados, com o trabalho das famílias que passaram a produzir na terra. A juíza Adriana Coningham da Vara de Conflitos Agrários reconheceu o estado de abandono e a “posse qualificada pelo trabalho” exercida pela comunidade.

A decisão contrariou, inclusive, o parecer final do Ministério Público, que havia opinado pela procedência dos pedidos do autor e, declarou a manutenção/reintegração de posse do autor sobre uma área de apenas 50 hectares onde se encontra edificada a sede da fazenda, mantendo os moradores assentados na área remanescente de aproximadamente 160 hectares, cujo local já se encontra consolidado com mais de 50 casas, rede de energia, estradas municipais, servindo como moradia habitual e fonte de renda para dezenas de famílias de baixa renda.

A decisão é de primeira instância e ainda pode ser objeto de recurso ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
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Zé Domingos critica Léo Bortolini e diz que ex-prefeito usou a AMM para pavimentar candidatura a deputado

 

Foto: VG Notícias

Marcos Lopes 

Em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (26) à imprensa regional que cobre a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o prefeito de Nobres, José Domingos Fraga Filho, popularmente chamado de Zé Domingos (União), abordou com clareza e senso de responsabilidade institucional os rumos da Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM). 

Ao analisar a gestão passada da entidade, sob comando do ex-prefeito de Primavera do Leste e atual candidato a deputado estadual, Leonardo Bortolin (MDB), Fraga trouxe à tona um debate necessário sobre o papel das associações de classe: servir, acima de tudo, aos interesses coletivos dos municípios, e não a projetos individuais.

Com uma fala pautada pela experiência de quem vivencia a gestão pública no dia a dia — acumulando um vasto currículo que inclui três mandatos como prefeito de Sorriso (1997-2000, 2005-2008 e 2009-2012) e duas passagens pela Assembleia Legislativa como deputado estadual (2015-2019 e 2019-2023) —, o atual gestor de Nobres, cargo que assumiu em janeiro de 2025, apontou que a credibilidade de uma entidade como a AMM depende diretamente da percepção de imparcialidade e foco nas demandas locais. Vale destacar que, após encerrar seu segundo mandato como parlamentar, Fraga continuou contribuindo com a Casa ao assumir o cargo de secretário executivo da ALMT, função exercida já sem mandato eletivo, o que demonstra seu compromisso contínuo com a administração pública mato-grossense além dos períodos eleitorais.

Segundo ele, embora a chegada de Bortolin à presidência tenha sido recebida com otimismo por muitos gestores, a condução dos trabalhos acabou gerando um sentimento de desencontro. “A maioria dos prefeitos fala que o Léo praticamente usou a AMM para se promover e pavimentar um caminho para chegar ao Estado de Mato Grosso”, afirmou Fraga. A declaração, feita sem rodeios, mas com respeito às instituições, reflete uma preocupação comum entre os municipalistas: a de que a estrutura da associação possa ter sido instrumentalizada em detrimento de pautas técnicas e urgentes para as cidades. Para o prefeito de Nobres, “a única coisa que andou foi o projeto dele para deputado estadual”, evidenciando que a proposta de renovação, inicialmente aclamada, infelizmente não se sustentou na prática.

Durante a coletiva, jornalistas questionaram Zé Domingos  sobre uma possível candidatura à presidência da AMM, dado seu histórico de liderança e trânsito político no estado. Com a mesma serenidade que marcou toda a entrevista, o prefeito descartou a hipótese e reafirmou que seu compromisso atual é exclusivamente com a gestão de Nobres. 

“Meu foco hoje é tocar a prefeitura de Nobres e entregar resultados para nossa população. Não tenho pretensão de voltar à presidência da AMM neste momento”, respondeu Fraga. A resposta, direta e desprovida de ambiguidades, reforçou a imagem de um gestor que prioriza a execução administrativa em detrimento de disputas por cargos em entidades de classe, alinhando-se exatamente ao discurso de transparência e foco no interesse público que ele defendeu ao criticar a gestão anterior.

DeAlém de expor sua visão crítica sobre a gestão anterior e definir seu próprio posicionamento, José Domingos Fraga Filho demonstrou, em sua fala, um profundo conhecimento da dinâmica política que envolve os municípios, fruto de décadas de atuação no serviço público mato-grossense. 

Questionado sobre a possível transferência de votos da base da AMM para a candidatura de Bortolin, o prefeito foi realista e técnico. Ele explicou que os gestores municipais já possuem compromissos históricos e alianças consolidadas com parlamentares estaduais e federais, o que torna improvável uma migração automática de apoio baseada apenas em cargos passados. 

“Você sabe que prefeitos, na sua maioria, já têm compromisso com seus parlamentares”, ponderou Fraga, destacando que a lealdade política nos municípios é construída por ações concretas e presença constante, e não apenas por titularidades em entidades.Contudo, mesmo ao fazer críticas assertivas e necessárias sobre o uso da máquina associativa, o prefeito de Nobres manteve a elegância e o espírito de corpo que caracterizam a atuação institucional. Fraga fez questão de separar a avaliação da gestão passada do desejo pelo fortalecimento da representação municipalista no Legislativo. “Espero que ele se eleja, até porque foi prefeito, foi presidente da AMM e é municipalista. Que possa aqui na Casa defender o interesse municipalista”, declarou.

Ao torcer para que Bortolin some votos e represente bem a causa dos municípios na ALMT, José Domingos Fraga Filho reafirma seu compromisso com o diálogo e com o fortalecimento do sistema federativo. Sua fala na coletiva serve como um lembrete importante: entidades de classe são patrimônio dos municípios e devem ser geridas com absoluta transparência, garantindo que o interesse coletivo sempre prevaleça sobre ambições pessoais.

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