A compra de votos e o assistencialismo eleitoral são práticas que há décadas desafiam a integridade do sistema democrático no Brasil. Quando a conquista da confiança do eleitor é substituída pela entrega imediata de bens ou facilidades financeiras, o exercício do voto deixa de ser uma escolha livre e consciente para se tornar uma simples moeda de troca. E esse assunto volta a ser tema em debates e tem gerado questionamentos em Primavera do Leste agora nesse período eleitoral.
Durante o pleito municipal de 2024 em Primavera do Leste, episódios marcados por denúncias mobilizaram a coligação do PL (do então candidato e hoje prefeito eleito, Sérgio Machnic). À época, questionou-se a conduta e os métodos aplicados durante a campanha de reeleição de Leo Bortolin e de seu vice, Ademir de Goes.
Na ocasião, a divulgação de um vídeo em que o próprio Léo Bortolin aparecia entregando dinheiro a um jovem eleitor e pedindo o voto motivou o protocolamento de uma ação por captação ilícita de sufrágio na Justiça Eleitoral.
O processo reuniu elementos polêmicos, como depoimentos de testemunhas que confirmaram a intenção de compra de bebidas para influenciar eleitores, além de alegações sobre declarações anteriores de pré-campanha sobre elevados gastos financeiros, uso da estrutura de eventos públicos como a ExpoPrimavera e justificativas da defesa que classificavam o episódio como uma "brincadeira" ou "resenha". Aquele embate judicial, no entanto, não chegou a uma sentença definitiva sobre o mérito devido a um acordo firmado entre as partes que encerrou o processo após o resultado das urnas.
Hoje, em um novo momento político, no qual Leo Bortolin busca uma vaga na Assembleia Legislativa como candidato a deputado estadual, novos registros e imagens voltam a circular entre a população, trazendo novamente à tona questionamentos sobre a forma de se conduzir uma campanha política. No vídeo recente, vê-se a entrega de dinheiro acompanhada de reações efusivas.
É essa a forma correta e ética de se fazer política? E até que ponto práticas assistencialistas e justificativas de que tudo não passa de uma "brincadeira" mascaram a ausência de propostas e comprometem o futuro de uma região?
São esses os líderes e representâncias que a sociedade deseja ver legislando e tomando decisões em favor de toda a coletividade?
A verdadeira democracia exige propostas transparentes, debate de ideias e respeito ao eleitor. Sempre que a política recorre a facilidades imediatas para captar o voto, o cidadão perde a oportunidade de escolher caminhos verdadeiramente transformadores para o seu futuro.










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