| Foto: O Estadão |
Marcos Lopes
A convenção estadual do União Brasil, marcada para esta quinta-feira (30), deixou de ser apenas uma formalidade partidária e passou a representar um dos principais movimentos da disputa pelo comando político de Mato Grosso. O encontro será um teste de força entre dois grupos que hoje dividem espaço dentro da legenda: de um lado, o senador Jayme Campos, que busca consolidar sua candidatura ao Governo do Estado; do outro, o ex-governador Mauro Mendes, presidente estadual do partido, que trabalha pela manutenção da aliança em torno do projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta.
A expectativa é que Jayme consiga demonstrar maioria entre os convencionais do União Brasil e fortaleça internamente sua posição para disputar o Palácio Paiaguás. Entretanto, a vitória dentro do partido não representa garantia automática de candidatura, já que a decisão final poderá ultrapassar as fronteiras de Mato Grosso.
O principal obstáculo está na Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP). Caso as duas siglas adotem posições diferentes sobre o projeto eleitoral, a definição poderá ser encaminhada para a direção nacional da federação, em Brasília.
O movimento de Jayme Campos representa uma tentativa de reposicionar o União Brasil na disputa estadual, defendendo que o partido tenha candidatura própria e protagonismo na sucessão estadual. Já Mauro Mendes aposta na continuidade do grupo político que venceu as últimas eleições e avalia que a manutenção da aliança com Pivetta seria o caminho mais seguro para o bloco governista.
A posição do presidente estadual do União Brasil, porém, abriu uma disputa interna. Lideranças próximas a Jayme Campos avaliam que Mauro Mendes antecipou uma escolha política ao defender publicamente a reeleição de Pivetta antes da manifestação dos convencionais. Para esse grupo, a convenção deveria ser o espaço de decisão soberana da legenda.
O episódio expõe uma mudança no equilíbrio interno do União Brasil. Durante os últimos anos, Mauro Mendes consolidou forte influência sobre a sigla, principalmente após comandar o Executivo estadual e organizar o grupo político que chegou ao poder em Mato Grosso. Agora, a movimentação de Jayme Campos coloca em discussão até onde vai essa liderança dentro do partido.
A disputa também revela um conflito de estratégias. Enquanto Mauro Mendes prioriza a continuidade de um projeto político construído a partir da atual gestão estadual, Jayme Campos tenta recuperar o protagonismo histórico do grupo dos Campos na política mato-grossense e apresentar seu nome como alternativa para liderar o Estado.
Pelas regras da Federação União Progressista, União Brasil e PP precisam primeiro realizar suas convenções individuais. Somente depois acontece a convenção conjunta da federação.
Se houver entendimento entre as duas legendas, a decisão será homologada. Caso contrário, caberá à executiva nacional definir qual caminho será seguido.
Na prática, existe a possibilidade de Jayme Campos vencer a disputa interna no União Brasil e, mesmo assim, depender de uma decisão nacional para confirmar sua candidatura.
Por isso, além da articulação dentro de Mato Grosso, o senador intensificou conversas com dirigentes nacionais do partido e da federação, buscando construir apoio caso o conflito seja levado para Brasília.
O resultado da convenção será acompanhado como um indicador do tamanho da influência de cada grupo dentro do União Brasil. Uma aprovação do nome de Jayme representaria uma demonstração de força do senador e uma sinalização de que a base partidária deseja um caminho diferente daquele defendido pela atual direção estadual.
Quórum e votação serão decisivos
Além da disputa política, a convenção seguirá critérios internos estabelecidos pelo partido.
Conforme resolução assinada pelo presidente estadual Mauro Mendes, será necessária a presença mínima de três quintos dos convencionais habilitados, equivalente a 29 participantes, para validar qualquer decisão.
A votação será secreta, entre 11h e 16h, na sede da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), em Cuiabá.
Os convencionais deverão apresentar documento oficial, assinar a lista de presença e receberão cédulas físicas para registrar seus votos.
Após o encerramento, a apuração será realizada imediatamente, com acompanhamento dos fiscais e da comissão eleitoral.
A proposta vencedora precisará alcançar maioria simples dos votos válidos.
A comissão responsável pela condução do processo é presidida por Flávio Azevedo e conta ainda com Dilemário Alencar, Guilherme Carvalho, José Carlos Pereira e Gilvan Rodrigues da Silva.
O União Brasil tem até 5 de agosto, prazo definido pela Justiça Eleitoral para realização das convenções partidárias, para definir oficialmente seu posicionamento.
Mas, independentemente do resultado desta quinta-feira, o destino da candidatura de Jayme Campos poderá depender de uma decisão política tomada longe de Mato Grosso, diretamente pela direção nacional da Federação União Progressista.









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