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Do "tapetão" às alianças rompidas: A trajetória de promessas não cumpridas de Leo Bortolin

 


Redação 



A conduta do grupo liderado por Leo Bortolin (MDB) em Primavera do Leste traz à tona um alerta sobre a confiabilidade dos acordos políticos firmados na região. Embora o alinhamento com a coligação de Wellington Fagundes figurasse no cenário oficial, articulações promovidas por aliados próximos escancararam uma postura ambígua e incoerente perante o eleitorado local.


O alinhamento dissimulado ficou evidente em material publicado nas redes sociais pela vereadora Karla da Saúde, delegada municipal e secretária especial da mulher do MDB em Primavera do Leste. No vídeo veiculado, a parlamentar exibe material de campanha de Otaviano Pivetta — adversário direto do projeto majoritário oficial do grupo —, enquanto o próprio Leo Bortolin aparece sem os identificadores da coligação a qual pertence. Integrantes dos bastidores informam que a movimentação responde a diretrizes internas para que vereadores e coordenadores da campanha passem a orientar o voto no número dez.

A quebra de compromisso resgata um histórico de atritos. Em vídeo gravado em 2017, durante ato de apoio à pré-candidatura do então vereador Luiz Costa a deputado estadual, o senador Wellington Fagundes repudiou publicamente a postura do ex-prefeito. Na ocasião, o parlamentar cobrou o cumprimento dos acordos firmados, destacando a relevância da palavra dada e da honestidade na vida pública. Fagundes afirmou que continuaria atuando pelo desenvolvimento de Primavera do Leste em respeito à população, ressaltando que sua relação de trabalho com o município permaneceria firme, independentemente de atitudes individuais desleais, e que os desdobramentos de alianças políticas seriam devidamente acertados no momento eleitoral adequado. Veja o vídeo.

Reforçando as críticas ao histórico de descumprimento de alianças, o ex-vereador Luiz Costa relembrou o acordo de cavalheiros firmado com Bortolin. Segundo Costa, após a vitória de Getúlio nas urnas ter sido anulada na Justiça por uma articulação preparada por Leo nos bastidores, a prefeitura ficou dependente da eleição da Mesa Diretora da Câmara. Na ocasião, o grupo de Luiz Costa garantiu os votos necessários para eleger Bortolin presidente do Legislativo e, consequentemente, alçá-lo ao comando do Executivo municipal. Em contrapartida, firmou-se o compromisso de que Leo apoiaria Luiz Costa para deputado estadual nas eleições de 2018 — um acordo de palavra que jamais foi honrado por Bortolin.


A manobra pragmática coloca em dúvida o grau de compromisso do grupo de Bortolin com as diretrizes partidárias e revela a disposição de abandonar acordos na tentativa de se associar ao palanque de melhor apelo na localidade. A estratégia, contudo, carrega um risco elevado. O pragmatismo excessivo ignora uma máxima conhecida das articulações eleitorais: a política pode até se aproveitar das traições quando conveniente, mas costuma abominar os traidores. Ao trocar de lado de forma sorrateira, a liderança de Leo Bortolin desgasta a própria credibilidade e deixa uma marca de instabilidade que certamente será cobrada pelas urnas e pelos antigos aliados no futuro.

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