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Sobrevivência política ou renovação? A corrida de 20 ex-prefeitos rumo ao Legislativo


















Redação


A "inflação" de ex-prefeitos que buscam uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso em 2026 revela uma face pragmática e, por vezes, desesperada da política regional. Com pelo menos 20 ex-gestores municipais posicionados para o embate das urnas, o que se vê é um movimento de migração em massa do Executivo para o Legislativo, motivado tanto pela manutenção do foro e do capital político quanto pela ausência de novas lideranças expressivas dentro das siglas. Entre os nomes que decidiram encarar o teste do voto recentemente estão Rafael Machado, ex-comandante de Campo Novo do Parecis, e Celso Banazeski, que administrou Colíder. Ambos chegam ao Podemos com o carimbo de ex-prefeitos, mas enfrentam o ceticismo dos bastidores: no jogo de forças interno, não figuram entre os favoritos e correm o risco de servirem apenas como "escada" para eleger os caciques do partido, sem chances reais de vitória.

Essa estratégia de lançar ex-gestores é comum para inflar o quociente eleitoral das legendas, mas a realidade das cadeiras disponíveis no parlamento estadual é um funil estreito e implacável. Vale notar que, embora existissem discussões sobre o aumento de vagas, a composição atual de 24 cadeiras exige uma matemática cruel. Figuras com recall expressivo em polos econômicos, como Ari Lafin, de Sorriso, e Léo Bortolin, de Primavera do Leste, entram na disputa com a vantagem de terem gerido vitrines do agronegócio. Por outro lado, o embate em redutos tradicionais promete ser canibalesco. Em Várzea Grande, a presença de Kalil Baracat e Tião da Zaeli fragmenta o voto local, enquanto Zé do Pátio tenta transpor o seu populismo rondonopolitano para a capital, desafiando a lógica de que uma boa gestão municipal garante automaticamente um assento no Legislativo.

A lista segue extensa com nomes como Nelson Paim, Daniel do Lago, Meraldo Sá, Adelcino Lopo e Valtinho Miotto, além de representantes do Araguaia como Janailza Taveira e Abimael Borges. O grande entrave para esse exército de ex-prefeitos é a sobrevivência dos atuais detentores de mandato, que detêm a máquina e a capilaridade necessária para a reeleição. Para entender o tamanho do desafio, é preciso olhar para os números: com um eleitorado apto que ultrapassa 2,5 milhões de pessoas em Mato Grosso, estima-se que o quociente eleitoral para 2026 — calculado pela divisão dos votos válidos (excluindo brancos e nulos) pelo número de vagas — gire em torno de 75.000 a 85.000 votos por cadeira.

Considerando que a abstenção histórica e os votos nulos/brancos costumam retirar cerca de 25% do total de eleitores, se tivermos aproximadamente 1,9 milhão de votos válidos, o quociente eleitoral oficial seria:
QE=24 (vagas)1.900.000 (votos vaˊlidos)​≈79.166 votos

Isso significa que um partido ou federação precisa somar cerca de 80 mil votos para garantir a primeira vaga direta. Para candidatos isolados, a regra exige que o eleito tenha, no mínimo, 10% do quociente eleitoral (cerca de 8.000 votos nominais) para ocupar uma vaga obtida pelo partido, e 20% do quociente (cerca de 16.000 votos) para disputar as chamadas "sobras". Nas últimas eleições, a média de corte para os eleitos ficou entre 20 mil e 25 mil votos, o que coloca ex-prefeitos de cidades menores, como Edu Pascoski (Itanhangá) ou Marcelo Aquino (General Carneiro), em uma situação de extrema vulnerabilidade, já que seus colégios eleitorais inteiros mal atingem essa cifra. No fim, a abundância de candidatos com currículo de prefeito pode resultar em uma frustração coletiva, provando que o prestígio de um palácio municipal nem sempre sobrevive à travessia para a Praça das Bandeiras.


Entenda o cálculo das sobras eleitorais

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