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Júlio Campos ganha protagonismo no União Brasil e pode ser peça-chave para eleger até três deputados pela Federação União Progressista


 Marcos Lopes 

A disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa de Mato Grosso entra em uma nova fase com o redesenho das chapas proporcionais para as eleições de 2026. No União Brasil, a saída de Eduardo Botelho para o MDB alterou significativamente a composição da legenda e abriu espaço para que Júlio Campos assuma o protagonismo eleitoral da chapa, ao lado de Dilmar Dal Bosco e Sebastião Rezende.

Botelho oficializou a filiação ao MDB em abril deste ano, movimento que também teve como pano de fundo a necessidade de reorganizar a chapa do União Brasil. 

À época, o próprio parlamentar afirmou que sua saída poderia ajudar a tornar a legenda mais competitiva, justamente porque a presença de quatro deputados com mandato dificultava a atração de novos candidatos.

A mudança é significativa quando se olha para o resultado de 2022. Naquela eleição, Eduardo Botelho foi o deputado estadual mais votado do União Brasil, com 51.998 votos. Dilmar Dal Bosco recebeu 42.156, Sebastião Rezende teve 36.919 e Júlio Campos alcançou 33.800 votos. 

Júlio foi eleito pela média, enquanto Dilmar e Sebastião conquistaram suas vagas pelo quociente partidário.  A avaliação política é de que Júlio Campos tem condições de ampliar sua votação em relação a 2022. Uma projeção razoável coloca ele na faixa de 42 mil a 48 mil votos, com uma estimativa intermediária próxima dos 45 mil votos.

Júlio Campos tem uma trajetória política de mais de cinco décadas e acumula uma das carreiras eletivas mais extensas de Mato Grosso. Ele foi eleito prefeito de Várzea Grande em 1972, deputado federal em 1978, governador de Mato Grosso em 1982, novamente deputado federal em 1986, senador em 1990 e voltou a ser eleito deputado federal em 2010. Em 2022, retornou ao Legislativo estadual ao ser eleito deputado estadual pelo União Brasil, com 33.800 votos.  Além dos cargos eletivos, Júlio Campos também teve uma passagem importante pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso. Em 28 de junho de 2002, tomou posse como conselheiro do TCE-MT, após indicação da Assembleia Legislativa e homologação pelo governo estadual. Permaneceu no Tribunal até 12 de dezembro de 2007, quando se aposentou.

Durante esse período, deixou temporariamente a disputa eleitoral e passou a atuar na fiscalização e no controle das contas públicas estaduais. A passagem pelo TCE-MT tornou-se parte importante de sua trajetória pública, ao lado dos mandatos exercidos no Executivo e no Legislativo.

A trajetória de Júlio Campos, portanto, passa pela Prefeitura de Várzea Grande, Câmara dos Deputados, Governo de Mato Grosso, Senado Federal, novamente Câmara dos Deputados, Tribunal de Contas do Estado e, mais recentemente, Assembleia Legislativa e em 2022, aos 75 anos, voltou a disputar uma eleição depois de um período afastado das urnas e conquistou novamente um mandato eletivo. Atualmente, ocupa também a primeira vice-presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso no biênio 2025-2027.

Se esse desempenho se confirmar, Júlio teria um crescimento de aproximadamente 11 mil votos em relação à última eleição. Mais do que o número individual, entretanto, o crescimento de Júlio pode ter efeito direto sobre a estratégia do União Brasil.

A lógica da eleição proporcional faz com que a votação dos candidatos seja somada para determinar a força eleitoral da legenda na distribuição das cadeiras. Por isso, uma votação expressiva de Júlio, somada às votações de Dilmar e Sebastião e dos demais candidatos da chapa, pode colocar o União em condições de conquistar duas cadeiras e entrar na disputa por uma terceira.

A própria composição atual da Assembleia mostra a importância dessas movimentações partidárias. Depois da janela eleitoral, 11 dos 24 deputados estaduais trocaram de legenda, redesenhando as forças para a eleição de outubro.

Se Júlio é o nome que pode assumir o papel de puxador da chapa, Dilmar Dal Bosco aparece como o candidato de maior regularidade eleitoral.

Em 2022, Dilmar recebeu 42.156 votos. Para 2026, uma estimativa entre 40 mil e 44 mil votos parece plausível dentro da atual conjuntura eleitoral.

Isso significa que, em um eventual desempenho forte de Júlio, Dilmar pode ser beneficiado pela força coletiva do União e disputar uma das cadeiras diretamente pelo desempenho da legenda.

Uma possibilidade seria Júlio terminar à frente, com aproximadamente 45 mil votos, enquanto Dilmar permanece na casa dos 42 mil.

Nesse caso, os dois seriam os nomes mais fortes do União Brasil na disputa proporcional.

A situação de Sebastião Rezende é um pouco diferente. Com uma votação estimada entre 34 mil e 38 mil votos, ele continua sendo um candidato competitivo, mas sua eleição pode depender mais diretamente do desempenho coletivo do União e da distribuição das vagas restantes.

Em outras palavras, Sebastião seria nesse caso, automaticamente "puxado" por Júlio e Dilmar, dependendo do resultado de uma votação muito forte dos dois e assim aumentar a quantidade de cadeiras conquistadas ou coloque o partido em posição favorável na disputa das sobras e é justamente nesse ponto que a eleição proporcional pode se tornar decisiva.

Uma estimativa de votação poderia ser: Júlio Campos com 45 mil votos, Dilmar Dal Bosco com 42 mil votos, Sebastião Rezende com 36 mil votos e os demais candidatos do União somando entre 25 mil e 30 mil votos. A chapa chegaria, nesse exemplo, a algo entre 148 mil e 153 mil votos. Com uma votação dessa magnitude, o União Brasil teria condições de brigar por duas cadeiras e poderia colocar uma terceira vaga no radar, dependendo do desempenho das demais legendas.

Se no União a saída de Botelho fortalece a centralidade de Júlio Campos, no MDB ocorre o movimento inverso.

Botelho passa a ser ao lado da empresária Jéssica Riva, um dos principais nomes da chapa emedebista e aparece como forte candidato a estar entre os mais votados do partido.

Uma pesquisa espontânea da Data Index divulgada em julho colocou Botelho com 1,94% das citações, liderando entre os nomes do MDB e aparecendo em segundo lugar no levantamento geral, atrás apenas de Max Russi. Dilmar teve 1,76%, enquanto Júlio Campos e Sebastião Rezende apareceram com 1,58% cada.

O MDB também trabalha com uma chapa que conta com nomes competitivos, entre eles a empresária Jéssica Riva. A entrada dela é vista dentro do partido como um reforço importante para a nominata proporcional.

Assim, a leitura permite apontar que Botelho e Jéssica Riva podem formar uma das principais duplas de puxadores de voto do MDB, enquanto Júlio Campos assume papel semelhante dentro da Federação União Progressista.

A saída de Botelho não significa necessariamente que o União Brasil ficará mais fraco eleitoralmente. Pelo contrário, embora o partido perca um candidato que teve quase 52 mil votos em 2022, a ausência de Botelho pode permitir uma redistribuição de espaço dentro da chapa e aumentar as possibilidades de crescimento de outros candidatos. E o principal beneficiário dessa mudança pode ser Júlio Campos.

Em 2022, Júlio teve 33.800 votos e foi eleito pela média. Quatro anos depois, a tendência é que ele aumente sua votação e uma votação na faixa dos 45 mil o colocaria em outro patamar dentro da chapa.

A diferença é politicamente importante: Júlio deixaria de ser apenas um candidato competitivo para se transformar no principal referencial eleitoral do União Brasil na disputa pela Assembleia.

Dilmar, com sua base consolidada, seria o segundo grande nome da chapa, apesar de pontuar como líder do União Brasil nas pesquisas, ele estagnou nas intenções de voto e enquanto Júlio Campos vem crescendo no percentual das pesquisas de intenção de voto do eleitor matogrossense. E nesse caso, Sebastião Rezende que busca a reeleição poderia entrar na disputa pela terceira vaga, dependendo da matemática final, uma vez que neste pleito ele terá que "dividir" os votos da Assembléia de Deus com o também deputado estadual Tiago Silva (MDB) e com a vereadora e primeira dama de Cuiabá, Samantha Íris (PL).

Considerando o desempenho de 2022, a conjuntura partidária de 2026 e as pesquisas espontâneas disponíveis, uma estimativa de trabalho poderia colocar Júlio Campos entre 42 mil e 48 mil votos, Dilmar Dal Bosco entre 40 mil e 44 mil votos e Sebastião Rezende entre 34 mil e 38 mil votos.

A estimativa não representa pesquisa eleitoral e deve ser entendida como uma análise baseada no desempenho anterior dos candidatos, na composição das chapas e nas informações eleitorais disponíveis até o momento.

Ainda assim, ela aponta para uma possibilidade concreta: Júlio pode crescer individualmente, Dilmar manter sua força e Sebastião continuar competitivo, fazendo da Federação União Progressista uma das chapas que merecem atenção na disputa proporcional pela Assembleia Legislativa.

O principal elemento dessa disputa não será apenas quem terá mais votos individualmente. Será a combinação entre votação individual, força da chapa, quociente partidário e distribuição das sobras. É por isso que Júlio Campos ganha importância estratégica. Se ele confirmar uma votação próxima de 45 mil votos, ao lado de um Dilmar na casa dos 40 mil e de um Sebastião próximo dos 36 mil, a Federação União Progressista poderá chegar ao fim da apuração com uma votação coletiva suficientemente forte para disputar duas cadeiras e, dependendo da matemática eleitoral, tentar uma terceira.

Nesse caso, Júlio seria o principal nome do União Brasil, Dilmar o candidato de maior estabilidade eleitoral e Sebastião o nome que poderia depender mais diretamente das sobras para garantir a permanência na Assembleia.

Do outro lado, o MDB ganha um novo peso com Botelho. O deputado, que em 2022 foi um dos grandes puxadores de votos do União, agora leva sua força eleitoral para a chapa emedebista, onde pode protagonizar a disputa ao lado de nomes como Jéssica Riva.

A eleição de 2026, portanto, apresenta uma situação curiosa: Botelho muda de partido, mas sua saída não encerra sua influência sobre a matemática eleitoral do antigo grupo. Ele deixa um espaço que pode ser ocupado por Júlio Campos no União, enquanto chega ao MDB com potencial para se tornar um dos principais puxadores da nova chapa.

E é justamente nessa troca de posições que pode estar uma das principais disputas pela composição da próxima Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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