Redação
Nos bastidores do Palácio Paiaguás, o clima já não é apenas de transição administrativa — é de rearranjo de poder.
A saída de Fábio Garcia da Casa Civil, tratada oficialmente como parte natural do ciclo político, esconde uma movimentação mais profunda. A ida para o Podemos não é isolada, nem improvisada. Ela faz parte de uma engenharia política desenhada com antecedência e com objetivo claro: posicioná-lo no centro da sucessão estadual.
Dentro do núcleo duro do governo, a leitura é de que Mauro Mendes trabalha para garantir que sua influência atravesse a mudança de comando. E isso passa, necessariamente, pela composição da chapa que será liderada por Otaviano Pivetta, do Republicanos.
Garcia, nesse cenário, é mais do que um nome técnico ou político — é um operador de confiança. Sua eventual presença como vice significaria manter uma ponte direta entre o atual governo e o próximo.
Mas, longe das versões oficiais, há um incômodo silencioso.
Aliados mais próximos de Pivetta admitem, em conversas reservadas, que a escolha do vice ainda não está fechada. E mais: defendem que o futuro governador precisa de autonomia para montar sua própria equipe e imprimir identidade à gestão. Traduzindo: aceitar uma indicação “pronta” pode não ser o caminho natural.
É aí que a temperatura sobe.
Se, por um lado, Mendes atua para consolidar Garcia na chapa, por outro, cresce a percepção de que Pivetta não pretende apenas herdar o governo — quer governar com margem própria de decisão. A definição do vice, portanto, deixa de ser um detalhe e passa a ser o primeiro grande teste dessa relação.
Nos corredores, o que se comenta é simples: se houver imposição, pode haver reação.
Até aqui, a transição caminha sob o discurso da continuidade e da harmonia. Mas, nos bastidores, o jogo é mais complexo. O movimento de peças indica que o grupo governista entra em uma nova fase — menos sobre unidade automática e mais sobre equilíbrio de forças.
O desfecho dessa articulação dirá muito sobre o futuro político do estado: se será uma sucessão controlada nos mínimos detalhes ou o início de uma convivência onde cada liderança buscará afirmar seu próprio espaço dentro do poder.









Nenhum comentário:
Postar um comentário